Vargas abre “furacão” de cassações da Lava Jato

Acusado de intermediar negócios do doleiro preso Alberto Youssef com o governo federal, o paranaense André Vargas foi cassado ontem pela Câmara dos Deputados. Foram 359 votos favoráveis à cassação, um contra e seis abstenções. A decisão ocorreu a apenas 52 dias do fim do mandato, mas tem como principal efeito prático a inelegibilidade do ex-petista pelos próximos oito anos.
A votação também marca o início de um furacão de processos de quebra de decoro parlamentar ligados à Operação Lava Jato que devem tomar conta do Congresso no primeiro semestre de 2015. Preso desde março em Curitiba, Youssef é peça-chave das investigações e seria “parceiro” de Vargas em interesses do laboratório Labogen. O número de deputados federais e senadores com suposta participação no esquema iria de 30 a mais de 200.
A parlamentar é membro do Conselho de Ética e participou de todas as etapas do processo contra Vargas, iniciado em abril. No mesmo mês, ele se desfiliou do PT e renunciou à vice-presidência da Câmara. Depois disso, manobrou para retardar o processo e conseguir pelo menos encerrar o mandato. “Todos vimos o que aconteceu, inclusive no plenário: um grupo de petistas tentou protegê-lo, mas não conseguiu”, disse o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP).O elo entre Vargas e Youssef veio à tona com a divulgação de escutas que mostravam que o ex-petista viajou com a família para o Nordeste, de férias, em um avião arranjado por Youssef. “O desfecho de todo esse processo que levou à cassação do André Vargas mostrou que ninguém está imune ao que teremos pela frente”, disse a deputada Rosane Ferreira (PV-PR).
Defensor de Vargas na Comissão de Constituição e Justiça, José Mentor (PT-SP) presidiu interinamente a discussão e chegou a encerrar a sessão, após duas horas de duração, por falta de quórum (havia 230 presentes, quando eram necessários 257). Na sequência, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), restabeleceu os trabalhos.
Vargas não compareceu nem indicou alguém para defendê-lo. Com isso, Eurico Júnior (PV-RJ) foi designado “a contragosto” para ler a defesa que já havia sido apresentada pelo paranaense na CCJ. Segundo Alves, Vargas faltou à sessão por estar hospitalizado, em recuperação de uma cirurgia.
Em declaração à Folha de S. Paulo, Vargas disse que os colegas “ceifaram um pedaço” da sua vida. Ele também disse que pretende arrumar um trabalho para cuidar da família e previu que o resultado da votação de ontem servirá como “mais um parâmetro para os demais julgamentos que virão com a delação premiada [feitas por Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa]”.
Votação aberta foi preponderante para o resultado
André Vargas foi o segundo deputado federal cassado após a aprovação da emenda constitucional que instituiu votação aberta para casos de quebra de decoro parlamentar, no ano passado. O primeiro foi Natan Donadon (ex-PMDB-RO), que chegou a se livrar da cassação antes da nova regra. Na época, Donadon estava preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, e chegou ao Congresso de camburão para se defender.
Todas as movimentações para tentar salvar Vargas ocorreram antes da abertura da votação. Houve inúmeros relatos de deputados que foram procurados por colegas para não marcar presença e esvaziar a sessão. “Depois que abriu o painel, não havia dúvida de que ele seria cassado. O jogo dele foi jogado antes”, disse o relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG).
O único voto favorável a Vargas partiu de um petista, José Airton (CE). Júlio Campos (DEM-MT), Nelson Meurer (PP-PR), Dr. Luiz Fernando (PSD-AM), Beto Faro (PT-PA), Dalva Figueiredo (PT-AP) e Sibá Machado (PT-AC) se abstiveram. Dentre os 30 deputados federais paranaenses, 24 votaram pela cassação.

Gazeta do Povo

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