Vereador aciona Justiça para barrar uso de reservatório particular e amplia tensão política em Assunção

Em meio ao agravamento da seca que atinge o Cariri, uma disputa envolvendo um reservatório privado ganhou repercussão e acirrou os ânimos no município de Assunção. O episódio colocou frente a frente o poder público municipal e um integrante da Câmara de Vereadores, em um contexto marcado pela escassez hídrica.

Diante da redução drástica dos níveis de abastecimento, a administração municipal buscou autorização para captar água de uma barragem localizada nas proximidades da zona urbana, pertencente ao vereador Márcio Oliveira (Republicanos). A proposta previa a retirada diária de sete caminhões-pipa, em caráter excepcional, com o objetivo de reforçar o fornecimento em áreas críticas da cidade.

Para formalizar a solicitação, o prefeito Felipe Oliveira (Republicanos) publicou um ato administrativo estabelecendo prazo de 48 horas para manifestação do proprietário. O documento estipulava que a ausência de resposta seria interpretada como negativa ao pedido.

A reação do parlamentar veio por meio do Judiciário. Ele impetrou um Mandado de Segurança com pedido de liminar para impedir qualquer captação de água do reservatório. Na ação, solicitou ainda a fixação de multa diária no valor de R$ 10 mil ao município em caso de descumprimento.

O magistrado responsável pelo caso, entretanto, negou a tutela de urgência, ao avaliar que não estavam presentes os requisitos legais para concessão imediata da medida. No processo, o vereador sustentou o direito à propriedade e argumentou que a retirada poderia comprometer a integridade do açude.

A controvérsia ocorre em um cenário de estiagem prolongada, típico do semiárido paraibano, onde a irregularidade das precipitações e a dependência de abastecimento por carros-pipa são recorrentes. A gestão municipal justificou a iniciativa com base no interesse público e na necessidade emergencial de garantir água à população.

Nos bastidores, o episódio também ganhou contornos políticos. Márcio de Zélia é apontado como possível postulante ao Executivo municipal nas eleições de 2028, o que alimentou interpretações de que a disputa extrapola o campo jurídico e alcança o ambiente eleitoral.

Aliados da atual administração avaliam que a judicialização do caso estaria inserida em um contexto de divergências políticas locais. Já interlocutores próximos ao vereador defendem que a medida teve como único propósito resguardar um patrimônio privado.

Enquanto o impasse segue em análise judicial, moradores enfrentam os efeitos da estiagem, que continua impondo desafios ao abastecimento e à rotina da cidade.




Blog do Guedes



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Assunção: Morre Daguia Mota, Irmã do suplente de vereador Dagama

Assunção realizará eleição suplementar para escolha de novo conselheiro tutelar no dia 27 de setembro de 2026

Bombeiros civis são acionados para capturar sagui que circulava próximo à loteria de Assunção