Partidos estão sentindo na pele a dificuldade de arregimentar jovens para se filiarem


Com participação ativa em grupos de discussões nas redes sociais, jovens, na faixa etária de 16 a 17 anos, preferem ficar de fora, ou se abster, quando o assunto é política partidária, ou até mesmo, o direito a votar para escolher seus representantes nas eleições. Os dirigentes das alas jovens de partidos estão sentindo na pele a dificuldade de arregimentar jovens para se filiarem e, principalmente para participarem dos processos eleitorais.
Esse desinteresse dos jovens pela política, que vem sendo crescente, não só na Paraíba, mas em todo País, está associada à descrença da juventude em relação aos políticos e aos casos de corrupções envolvendo gestores públicos. Mesmo com a inversão da pirâmide populacional, em que o número de jovens, de um modo geral, tem sido reduzido no Brasil, há uma desmobilização dos jovens no que diz respeito à militância política partidária, que acaba sendo maior do que a redução da população de jovens.
Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) mostram que o total de eleitores entre 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, vem sofrendo reduções sistemáticas. Nas Eleições de 2016 o número de eleitores com 16 anos no Estado era de 31.263. Em 2018 passou para 16.745 e este ano, até final de setembro, eles representavam apenas 7.915, representando uma redução de 74,68% nesse eleitorado.
Os eleitores com faixa etária de 17 anos, nas Eleições de 2016, nas quais foram escolhidos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos 223 municípios paraibanos, era de 44.520. Em 2018, eles passaram para 32.474 e este ano representam apenas 25.841, até o final de setembro. A redução nos últimos quatro anos representa 41,96%.
O juiz Arthur Fialho, integrante do TRE-PB, vice-diretor da Escola Judiciária Eleitoral da Paraíba (EJE-PB), destacou que com a Constituição Federal de 1988 foi garantido aos jovens de 16 e 17 anos o direito ao voto facultativo. “Desde então, a participação dos jovens na vida política vem sendo cada vez mais incentivada, inclusive através de campanhas institucionais da própria Justiça Eleitoral”, comentou.
Segundo ele, a participação dos jovens na vida política do país é de suma importância para o fortalecimento da democracia e oxigenação dos debates, sendo essencial que exista representatividade jovem na esfera política. “Afinal, é no campo político que se estrutura o futuro da nação”, afirmou.
O magistrado disse ainda, que historicamente o jovem sempre foi agente relevante nas transformações políticas e sociais, e atualmente não é diferente. “Contudo, temos agora as redes sociais, amplamente utilizadas pelos jovens, e que acabam servindo como arena para debates políticos. Acredito que a utilização de plataformas virtuais para fins políticos deve aumentar cada vez mais e, se utilizada corretamente, contribuirá para o desenvolvimento político da população mais jovem”, comentou.
Arthur Fialho defende, no entanto, que deve existir um constante trabalho de conscientização e motivação para que a população sempre busque maiores informações sobre os materiais que são divulgados nas redes sociais, pois estas são muitas vezes utilizadas como vetores para disseminação de conteúdos de desinformação, popularmente nominados de fake news.
“É incontestável que os jovens possuem grande poder de mobilização social e seus movimentos geralmente alcançam elevado grau de visibilidade, agora potencializada com as redes sociais. Na minha ótica, a cada dia vem crescendo o interesse da população jovem em relação aos assuntos políticos, inclusive daqueles que possuem apenas 16 e 17 anos de idade. Dados estáticos sobre o comparecimento às urnas daqueles que possuem direito ao voto facultativo não podem ser considerados isoladamente para mensurar o interesse de tal público no universo político”, declarou.

Jornal  Correio
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