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Até quando 11 minutos e 33 segundos?


Ser mulher em pleno século 21, ano 2016, ainda é sentir medo, muito medo. Não é uma sensação qualquer, que dá e passa. É um medo quase paralisante quando tem que lidar segundo a segundo com a cultura do machismo, com os índices de violência doméstica, urbana…
Ser mulher é sentir-se vulnerável. Ao sair de casa, é alvo fácil para bandidos que querem roubar, sequestrar, violentar sexualmente. Este último com uma frequência absurda e nauseante. De acordo com o 10º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado na semana passada pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública, em apenas 11 minutos e 33 segundos, uma mulher é estuprada. São um pouco mais de cinco por hora.
Drica gostaria de acreditar no mundo e nas pessoas, mas a sociedade em que ela vive, com todas as privações e violações de direitos que ela sofre, não dá muita perspectiva de que se pode viver bem e sentir-se livre algum dia.
Na infância, o marido de sua tia, em diversas ocasiões, passava a mão entre suas coxas e tentava convencê-la de que, por ser uma linda criança, aquilo era normal. Foi uma das primeiras experiências em que Drica se sentiu ameaçada.
Aos 15, ao voltar do seu expediente de jovem aprendiz, Drica foi abordada por um cara que pressionava uma faca afiada contra sua barriga. Com bafo de cachaça, o ex-presidiário, outrora condenado por, pasmem, estupro, fez todo tipo de sorte (ou azar) com ela. Violentada, o medo fez com que imagens daquele dia fossem apagadas de sua mente. Restaram os sons, que até hoje, são ecos no seu dia a dia.
Drica ainda tinha muitos sonhos, mas quando resolveu se casar com o homem que julgava ser seu príncipe encantado, foi perdendo cada dia um a um. O príncipe, num passe de mágica, realizou encantamentos para que ela conhecesse a perda gradual da autoestima, o desestímulo pelos estudos, isolamento social e a dor de cada empurrão, torção de braço, tapas, murros contra a barriga. O que era para ser um conto de fadas foi uma vivência pesadélica, presenciada pela filha, à época, menor de dois anos.
Mas sempre dizem que o ser humano tende sempre a evoluir e o príncipe encantado da Drica evoluiu. No auge da sua malvadeza revestida de declarações de amor, ele a abandonou. Ela, grávida do segundo filho, sem trabalho, sem estudos, sem ninguém.
Drica resolveu superar todo esse passado. Não poderia enxergar o mundo como um filme de terror. Resolveu se reinventar, se reconstruir. Hoje ela estuda e trabalha. Mas a violência continua cerceando seu direito de ser livre e feliz.
Se vai trabalhar, tem que esconder tudo que tem de valor. É porque, em alguma esquina, algum malandro pode abordá-la mais uma vez com um 38 e arrancar seus pertences. E rezar mais uma vez para que o gatilho não seja apertado.
É que ela tem que andar depressa,  olhar para todas as direções. Tem que cotidianamente treinar seu faro e seu olhar para identificar situações ou pessoas perigosas. Vai que ela seja novamente vítima de estupro?
Drica não tem medo da morte, tem medo dos vivos. A morte acontece com qualquer um, ela pensa. E o que se pode fazer ou sentir depois de morto? É enquanto respiramos que há consciência do que é dor, tortura física e psicológica. É disso que Drica morre de medo.
Ela foge dos noticiários policiais para não desenvolver a síndrome do pânico. Por ela, não sairia de casa. Mas quem é que vai pagar as contas? Apesar de fugir, é inevitável não saber de casos, como este último que andam sensacionalizando em portais, rádio e TV. É o caso Vivianny, que foi para um bar tentar ser feliz em sua juventude e foi levada para um matagal para ser estuprada, assassinada, esquartejada e parte de seus membros queimados. Ao menos foi isso que a Drica ouviu em um programa de rádio.
Drica, Vivianny, Ariane, Rebeca. Não são só elas. Somos todas nós. Até quando vamos ter que encarar sozinhas essa barra que é ser mulher? Porque o respeito de gênero não é automático? Até quando?
Reflitam, fixem na mente e vejam se é concebível: um estupro a cada 11 minutos e 33 segundos.


PB já

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